segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

BCAA Faz Mal Para Saúde?


O BCAA (Branched-Chain Amino Acids) ou Aminoácido de cadeia ramificada, composto pela leucina, isoleucina e a valina, é um dos suplementos mais consumidos no mundo atualmente, seja por atletas fisiculturistas, seja por amadores que buscam por aumento de massa muscular.

Escrevemos sobre as vantagens deste aminoácido no post Aminoácido ou BCAA: Qual é o melhor suplemento?, mas hoje, vamos falar sobre um estudo científico conduzido por médicos neurologistas e nutricionistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro que foi publicado na Revista Brasileira de Neurologia e associou a utilização de BCAA com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) classificando o BCAA como neurotóxico. Stephen Hawking famoso físico britânico é um portador da ELA e recentemente tivemos o viral do Desafio do Balde de Gelo para angariar fundos para os doentes desta esclerose.

Vamos as questões:


1- O BCAA pode fazer mal à saúde?
Segundo este estudo científico o BCAA produz uma substância neurotóxica que pode acelerar a progressão da esclerose lateral amiotrófica, nos portadores desta doença.

2- O que é a esclerose lateral amiotrófica? Quais são os sintomas desta doença?
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva
que acomete os neurônios motores superiores (NMS) e neurônios motores inferiores (NMI).
Ela causa paralisa nos músculos do corpo sem, no entanto, atingir as funções cerebrais, sendo uma doença que ainda não possui cura. Sabe-se que 90% a 95% dos casos da doença manifestam-se sob a forma esporádica. Acredita-se que seja de etiologia multifatorial, resultante da combinação de fatores genéticos e ambientais. 

3- De que modo o BCAA pode ser prejudicial para saúde? Qual é o mecanismo?
Vários fatores estão relacionados a esclerose, porém ganha destaque a toxicidade do glutamato. A ELA está fortemente relacionada ao defeito no transporte do glutamato, o que possibilita, assim, seu acúmulo. Existem estudos demonstrando elevadas concentrações de glutamato no líquido céfaloraquidiano de pacientes com doenças neurodegenerativas, entre as quais a ELA.

Glutamato, também conhecido por ácido glutâmico, é considerado um dos principais neurotransmissores excitatórios do sistema nervoso central (SNC), encontrado em cerca de 80% da população total de neurônios glutamatérgicos do cérebro, responsável por um terço de todas as sinapses, que é a comunicação dos neurônios.

O consumo excessivo do BCAA, acima das recomendações, estimula a síntese de glutamato, que, em grande quantidade, causa excitotoxicidade, contribuindo para a degeneração dos neurônios motores.

Três estudos científicos demonstraram a relação direta da suplementação crônica e excessiva com BCAA, ou seja, acima das doses recomendadas e a piora no estado clínico dos pacientes com ELA. Um destes estudos na Itália teve que ser interrompido pelo número excessivo de mortes no grupo que recebia altas doses de aminoácido.

4- Qual foi a conclusão do estudo?
A conclusão foi de que não é indicada a suplementação com BCAA para portadores de esclerose lateral amiotrófica. No entanto, o consumo adequado de alimentos proteicos, fontes desses aminoácidos, pode ser utilizado por esses pacientes, desde que sejam
respeitadas as recomendações estabelecidas pelas tabelas nutricionais internacionais. Contudo, são necessárias informações adicionais e mais pesquisas sobre o assunto em virtude do escasso número de trabalhos publicados nessa área.

E aí você vai suplementar ou continuar suplementando? Deixe sua crítica, elogio ou sugestão nos comentários!

Fonte: 

  • Milagres EAN; Loureiro MP; da Silva AC; Matos AC, Gress CHT, Lima JMB, Andrea Ramalho A. Branched-chain amino acid consumption in amyotrophic lateral sclerosis: protein supplement or neurotoxic substance? Rev Bras Neurol. 50(4):77-82, 2014.